terça-feira, 28 de abril de 2026

Luiz Felipe - 12 anos

 

                    Do diminutivo ao aumentativo

 

Nosso Tite não é mais Titinho! Não dá mais para chamá-lo no diminutivo. Brinco dizendo que agora é nosso Titão, porque cresceu muito, e ele dá uma risadinha meio sem graça. Mas, no fundo, todo orgulhoso: está alto, apesar de continuar esguio.  Nosso Luiz Felipe chega aos 12 anos, e continua irrequieto, como sempre foi. Meu neto mais novo não quer perder nada do que a vida tem a lhe oferecer.

            O seu relacionamento com a família e amigos, Tite, é marcado por alegria e brincadeiras. O amor pela mamãe e papai é externado em beijos, abraços e muito carinho. Continua sendo o grudezinho da mamãe, em quem encontra carinho, e que é sempre objeto de manifestações de seu amor, mas papai também recebe essas manifestações, dedicando tempo e atenção a explicar o que a sua curiosidade quer saber.

            Aliás, perguntar é próprio de você, que é dono de uma mente que não para. Seu irmão João Vitor é, muitas vezes, alvo das suas perguntas, mas, nem sempre tem a paciência do papai e mamãe para responder. Aí, surge a cara emburrada dos dois lados, que não dura nem um minuto porque um dos dois provoca o outro e logo estão se cutucando e rindo.

            Vovós continuam cercando vocês dois de amor e se preocupando com os “netinhos”, coisa de avós, que só quem os tem consegue compreender.  Mas os “netinhos” estão crescendo, a meninice está ficando para trás. O que não impede a troca de beijos e abraços entre você, João e vovós Ana, Paulo, Janne e Santiago.

            A paixão pelo desenho e pelos jogos no computador continuam firmes na sua vida. Um papel e uma caneta são suficientes para você passar algumas horas entretido. Seus trabalhos são muito elogiados na escola de desenho e surpreendem vovô Santi, que comenta meio brincando, mas todo orgulhoso: “Puxou a mim!” Mas é uma tela de notebook que o distrai durante um bom tempo, precisando da intervenção da mamãe para parar. “Só mais um pouquinho”, é a resposta em forma de pedido!

            Mas você tem outras atividades e interesses. Handebol está no seu programa de atividade física, assim como a Educação Física na escola e a corrida, sempre que encontra um espaço livre. A bateria continua presente em sua vida. Não perde aula na escola de música e gosta, principalmente, das apresentações de encerramento de ano, no Teatro Guarany. Ano passado foi, como sempre, um sucesso, tocando bateria acompanhado por papai (como convidado especial) no contrabaixo e pela banda da Escola Simonian. A música foi “Smooth Criminal”, de Michael Jackson.

            Aos poucos, as atividades escolares vão despertando mais seu interesse e dedicação, e você fica muito orgulhoso quando obtém notas altas. Sempre que chega na casa do vovô Paulo, ele lhe pergunta: “Foi bem na escola?” A resposta é costumeiramente positiva, algumas vezes mais firme, mas sempre acompanhada de um sorriso.

Você conhece e se interessa pela História das Guerras, descrevendo detalhes das batalhas para a família. Seu amor e talento para o desenho fizeram com que se se interessasse, na História da Arte, pelo Renascimento. Mas você também conhece outros períodos, que estuda na escola. Em julho do ano passado, durante sua viagem à Europa, com mamãe, papai e João, foi ao Louvre, em Paris.

 Entre as grandes obras de arte em exposição, a família viu um belo quadro, que chamou a atenção. Todos se perguntavam o que representava. E você, na hora: “São as sabinas.” Tratava-se do quadro “A Intervenção das Sabinas”, de Jacques-Louis David, grande representante do neoclassicismo. “Como você sabe?”, perguntou a mamãe. E você: “Eu estudei na escola...” E continuou tranquilamente a visita ao museu.

Segundo o João, foi o terror das pombas em Paris e Londres. Não podia ver uma e já corria atrás, com um brinquedo na mão, que fazia barulho. Dando muita risada, você confirmava, assim, sua natureza irrequieta, mas, por ser menorzinho, cansava-se mais nas visitas aos pontos históricos e, sempre que aparecia um bom lugar, recostava-se na mamãe ou papai e pegava no sono. Mas como nunca dá o braço a torcer, ficava bravo por causa das fotos que registraram esses momentos.

            Tem facilidade de fazer amigos, e tem muitos! Ano passado, no aniversário de 11 anos, quando foi viajar para o Hotel Fazenda Mazzaropi, com a família, contou-nos, todo contente, que em quatro dias tinha feito vários amigos, mas, especialmente, dois amigos e uma amiga. É assim também no dia a dia na escola. Você brinca e se relaciona com todos os colegas, e, claro, tem os preferidos.

Há alguns dias, comentando sobre as velinhas do bolo de 12 anos, que você iria apagar ao lado dos amigos, perguntei: “Vão cantar ´Parabéns´, não é?” E provoquei: “E vai sobrar para você. Vão cantar ´Com quem será... que o Tite vai casar?” Sua carinha foi de concordância e resignação. Não me dei por vencida: “E você sabe o nome da menina que vão cantar?” Diante de sua resposta afirmativa, perguntei de novo: “E você gosta dessa sua amiguinha?” A resposta veio no meio de um sorriso: “Ah, dessa sim!...”

Você gosta de provocar o vovô Paulo porque sabe que ele entra na brincadeira, cutucando de volta quando você mexe com ele. Mas também gosta de ajudar, quando preciso. Na viagem de volta do Mazzaropi, em uma parada para descansar e reabastecer os carros, você e vovô Paulo foram ao banheiro. Na hora de lavar as mãos, perceberam que não tinha sabonete. E você, ligeiro e decidido como sempre, foi na outra ala do banheiro, encheu as mãos de sabão líquido e levou para você e vovô lavarem as mãos. 

Assim você vai crescendo, descobrindo as dificuldades e alegrias da vida, aprendendo a lidar com elas.  Você gosta, por exemplo, de tudo mais doce ou mais salgado. Abacate é uma iguaria para você. Quando vem almoçar comigo e vovô Paulo, uma das primeiras perguntas é: “Tem abacate?” Mas você sempre pede que o creme seja mais doce, no que mamãe interrompe, preocupada em manter sua saúde: “Não, está bom assim!” Você fica triste, mas não desiste: “Então, põe mais umas gotinhas de adoçante...”

Nas férias de verão, foi, com o João Vitor, passar uns dias na Praia da Baleia, com vovós Janne e Santi. Claro que você e João escolheram o cardápio das refeições, feitas com muito carinho pela vovó Janne. Vovô Santi continuou atendendo aos seus pedidos de criar desenhos e vocês se divertiram muito andando de bicicleta. À noite, o cansaço era tanto, que nem dava tempo de vovó Janne cumprir o ritual de passar creme nas suas costas antes de dormir: você adormecia antes, para só acordar no dia seguinte.

Você gosta de brincar comigo, colocando-se atrás de mim e me cutucando, como se alguém estivesse me chamando. Só para eu olhar para trás, fazer aquela cara de quem está procurando alguém e você correr ligeiro para o outro lado, para não dar tempo de vê-lo.

No Mazzaropi, fez isso muitas vezes. Na verdade, como é de seu feitio, estava radiante e não parou quieto nem um segundo. Queria ir em todos os brinquedos que o hotel tem a oferecer, mas um dos prediletos foi o pula-pula, no qual foi acompanhado do papai e mamãe, que também se divertiram muito. Um brinquedo muito apropriado para você, nosso irrequieto Tite!

Na hora do bolo de aniversário, durante o almoço no hotel, toda a família e ocupantes de outras mesas, mais os animados garçons e garçonetes, cantaram “Parabéns”, enquanto você, todo feliz, apagava as velinhas. E, desta vez, o primeiro pedaço do bolo foi para a mamãe, que ficou emocionada. E em sua casa, quando apagou velinhas no almoço com os papais e vovós, deu o primeiro pedaço de bolo para o João Vitor. Seu irmão, como sempre, ficou todo orgulhoso!

Você gosta de bichinhos e brincou muito com os que vivem soltos no Mazzaropi. Deu comida para os coelhos, um tipo de matinho que eles adoram; e até correu atrás das galinhas, como toda a criança que não para quieta. Na quadrilha da festa junina, só deixou quietos, nas mesas, os vovôs Paulo e Santi. Eu, vovó Janne, papai, mamãe e João fomos dançar quadrilha. Você se divertiu observando minhas reações às coreografias. Fiquei apreensiva quando vi que tinha uma de pular e pensei: “Ai!, meu par é o Tite!” Mas você foi bonzinho com a vovó e não pulou demais!..

Quis dirigir a bicicleta de dois lugares, comigo do lado, como havia visto o João fazer. E conseguiu! Por pouco tempo, mas bem divertido! Fez muitos pontos no boliche, mas, no meio do jogo, foi embora para jogar queimada, de que gosta muito!  Na verdade, no seu aniversário no hotel fazenda, você curtiu tudo o que pôde e nos fez curtir junto com você. Afinal, quem pode resistir à sua alegria?

Este é apenas um breve recorte de sua personalidade. Você é assim, Luiz Felipe, vive a pré-adolescência com seu jeito determinado a resolver logo as coisas, sua pressa em obter soluções, em falar, em concluir tarefas. Seu movimento é constante, só consegue se aquietar com o carinho da mamãe e do papai. Seus vovós agradecem ao Ser Maior a felicidade de tê-lo (e a seu irmão) como neto(s). E eu, continuo encantada com sua vivacidade e alegria, pedindo aos Céus que o protejam pelos nem sempre fáceis caminhos da vida, que, tenho certeza, você vai trilhar com determinação e vitória!  

 

Um comentário:

Anônimo disse...

Ah, Ana, quantos detalhes lindos e felizes da vida do Titão e de vocês. Ele, como o nosso Thomas, com 13 anos, sabem tudo da História das Guerras. Eles precisam se encontrar um dia, é muito raro dois jovens dessa idade terem esse interesse. Quando a família é a base, a raiz, está sempre presente , a criança tem uma segurança emocional que perdurará o resto da vida. Como é essencial isso. Quanto amor e zelo doamos pedindo a Deus que nos permita vê-los adultos, que Ele nos abençõe com a graça de pegar nossos bisnetos no colo. Que o Tite seja feliz e realize os sonhos de hoje e os que hão de brotar. Que Deus esteja sempre com ele, com o irmão, papais e vovós. Que estejam sempre juntos porque na vida é isso que importa: a família. Beijo grande, Ana, desculpe o tamanho do comentário.

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