sexta-feira, 11 de setembro de 2026

João Vitor - 15 anos

 

           Um cineasta para registrar bons momentos


Oi, pessoal!” Assim começavam, invariavelmente, os vídeos do cineasta da família, para nos mostrar o que estava acontecendo na viagem à Disney World, em Orlando. Claro que o cineasta era o João, confirmando, mais uma vez, seu gosto pela fotografia e pelo vídeo. Uma paixão entre as muitas outras desse jovem que chega aos 15 anos e que eu insisto em chamar de “meu netinho”!

            É difícil olhar para aquele moço-adolescente alto, já com compleição física de adulto, e não lembrar do menino carinhoso – e muitas vezes teimoso –, que se aconchegava no sofá da minha sala e pedia com muito jeito: “Vovó, vamos brincar?” E que, logo depois, passou a contar com o reforço, no pedido, do irmãozinho Tite.

            Recordo como não resistia a esses pedidos e saía me escondendo pelos cantos da casa ou correndo pelos quartos, para brincar de esconde-esconde ou de corrida. Hoje, olho para João Vitor e Luiz Felipe e vejo dois jovens ainda em fase de amadurecimento, carinhosos e, muitas vezes, dengosos, mas já conhecendo e vivendo aspectos adultos da vida.

            É assim, João Vitor, que muitas vezes me surpreendo com suas observações, ao mesmo tempo em que me divirto com suas brincadeiras. Por isso, foi muito gostoso receber os vídeos da viagem a Orlando, que você fez nas férias, com a mamãe, papai e Tite. Você mostrou detalhes dos passeios, do ambiente, do cenário, das refeições e das reações de cada um, com ênfase, claro, na empolgação da mamãe, sempre fã do Mickey e da Disney. Só deu por encerrada a série de vídeos, quando, na volta, estavam esperando a bagagem ao lado da esteira, no aeroporto em São Paulo: “Oi, pessoal...”

            Na verdade, você gosta muito de lidar com imagem. Certa vez, registrou em vídeos uma viagem completa a Serra Negra e sempre que a família está reunida e alguém – esta vovó, principalmente -- fala em fotografar o momento, você logo declara: “Deixa comigo!” E se sai muito bem, produzindo belas imagens, como no Réveillon deste ano, na casa dos vovós Ana e Paulo. Registrou a queima de fogos na praia e fotografou mamãe, papai, Tite e vovós Janne, Santi, Ana e Paulo não só no brinde da meia-noite, como em momentos de alegria e carinho.

            Por gostar da beleza das imagens e se preocupar com a preservação da natureza, criou um canal no YouTube, o World Flow, já com bastantes seguidores. Preocupação rara em um garotão de 15 anos! Mas que continua um garotão, como quando vem na casa da vovó Ana e não se esquece de tocar a campainha muitas vezes (seguido do Tite!), só para ouvir o vovô Paulo reclamar: “Não façam isso. Os vizinhos podem reclamar!”

            Mas foi para o vovô Paulo a primeira fatia do bolo do aniversário de 14 anos! E fez questão de criar suspense e pedir para prestarem atenção antes de anunciar que vovô Paulo tinha sido escolhido para ganhar o bolo. Você, todo feliz com a surpresa para o vovô, e este, agradecendo todo emocionado!

            Como andava com saudades do Virtus e vovós Ana e Paulo queriam entender o funcionamento de alguns detalhes do carro novo, no dia seguinte ao aniversário, veio com papai, mamãe e Tite andar no automóvel. Adorou, deu muitas dicas sobre o funcionamento do carro (conhece tudo não só deste, como de outros modelos também!). E recomendou aos vovós Ana e Paulo: “Cuidem bem do Virtus! Vou ganhá-lo de presente quando fizer 18...!”

            No verão deste ano, foi passar férias na casa dos vovós Janne e Santiago, na Praia da Baleia. A diversão já começou na viagem, quando você e seu irmão começaram a provocar o vovô Santi, dizendo que ele não ultrapassava os carros mais lentos. Vovô entrou na brincadeira e, quando ultrapassava algum retardatário, imitava o barulho de um motor de carro de corrida, provocando muitas risadas.

 Você e Tite mataram saudades da casa da Baleia e se divertiram, andando muito de bicicleta e aproveitando bem a piscina, sempre sob os cuidados do vovô Santi. Vovó Janne, como sempre, fez os pratos de que vocês mais gostam, mas, na hora de dormir, você não se esquecia de pedir a ela massagem nos pés -- não são mais pezinhos há muito tempo!

            Profundamente musical, você canta muito as suas músicas preferidas, não só no banheiro, como onde estiver, principalmente em seu quarto. Mas é no piano da vovó Ana -- agora, todo reformado e afinado --, que você gosta de ensaiar as músicas que aprende na escola do Simonian. Mesmo que estejamos todos conversando na sala, você ataca o piano com vontade, só usando o pedal abafador quando alguém reclama.

 Assim seu lado musical se manifesta, basta ver como você consegue belas interpretações de músicas cuidadosamente escolhidas. Como quando, no fim do ano passado, no Teatro Guarany, tocou ao piano, acompanhado pelo papai na bateria e pela banda da escola, a icônica The Final Countdown, do Europe. Os aplausos foram entusiásticos!

            O basquete voltou a ter lugar em sua vida de esportista. Você o pratica na escola, com muito entusiasmo, e continua firme no tênis de mesa. Seus interesses são diversificados neste nono ano do Ensino Fundamental na Escola Jean Piaget. Alguns, estimulados pelas opções da escola, como os projetos de ciências – agora, está empenhado em experimentos sobre adubo e nutrientes para as plantas – e as aulas de arte, deixando vovós Janne e Santi, que são desenhistas e pintores, todos orgulhosos com os quadros que você cria.

 História também é seu forte, especialmente as Guerras Mundiais. Teve 10 em prova sobre a Primeira Guerra e certa noite, jantando com a família, deu uma aula sobre a Segunda Guerra. Recentemente, provou o seu interesse por Geografia ao conquistar a segunda nota mais alta de toda a escola nessa matéria. É bom em Redação, com notas altas e criatividade nos textos. Vovó Ana e o vovô Santi, ambos escritores, até já torcem para você se inscrever em concursos de literatura. É também na escola, que frequenta aulas de inglês em nível adiantado. No ano passado prestou exame e recebeu, este ano, o Certificado de Cambridge, em uma reunião especial no colégio, com a presença dos pais. Foi aplaudido e ficou todo feliz!

            Suas apresentações no teatro da escola têm tido sucesso, demonstrado que você gosta de atuar e não tem inibição em enfrentar o público. Este ano, seu grupo conquistou o primeiro lugar em teatro em Língua Portuguesa, interpretando D. Quixote de La Mancha, e o trio formado com seus colegas foi o segundo colocado em Língua Espanhola, interpretando cena do livro de estudos.

            Uma paixão atual é o Cubo Mágico, que aprendeu a manusear com muita habilidade e com o qual busca bater recordes na solução do quebra-cabeças. É difícil acompanhar seus movimentos no manuseio do Cubo, que está constantemente em suas mãos. Por isso, você gosta de provocar o vovô Paulo mostrando o quebra-cabeças, para ouvi-lo reclamar rindo: “Ai! ai! ai! ai! ai!” Você dá aulas para a família sobre como lidar com o Cubo Mágico, recebe os elogios com um sorriso e já me explicou as principias jogadas. Mas continuo achando um jogo muito difícil!...

 Também as espinhas de adolescente já entraram na sua vida, obrigando-o a tratá-las sob orientação médica. E mamãe confidenciou que você já tem até barbeador para aparar a penugem que insiste em aparecer na área do bigode!... O primeiro terno você usou em 29 de maio deste ano, quando, para entrar no clima de uma atividade da escola, foi vestido de James Bond. Por sorte, um paletó e uma gravata antigos do papai ajudaram a compor a figura. Ficou lindo, mas não queria ir andando pela rua usando terno!!!

Na verdade, você continua naquela fase de transição para a maturidade, que muitas vezes nos surpreende. Dia desses, vovô Paulo comentou comigo: “Agora, já dá para manter uma conversa com o João, sem as brincadeiras de sempre!” É verdade, mas, como vovô Paulo é tão brincalhão quanto você, as conversas logo são interrompidas por boas risadas.

Com o papai, além do carinho e das brincadeiras, também mantém conversas sérias, que esclarecem suas dúvidas e curiosidades e, acima de tudo, o orientam para a vida. Com a mamãe, é muito amor e alguma briga, já que ela continua sendo a guardiã de seus horários e compromissos e, muitas vezes, o contraponto de sua teimosia. Mas é também, junto com papai, o eterno porto seguro onde você e Tite podem se refugiar.

 Aliás, seu relacionamento com o Tite é uma convivência constante de irmãos que brigam e logo se abraçam, e logo se provocam e logo voltam a se abraçar. Os amigos e amigas são muitos, mas há aqueles mais próximos, com quem você mais convive e cujas famílias já se tornaram amigas da sua família.

Assim, João Vitor, você vai caminhando pela vida. Alcançou o marco dos 15 anos com confiança e esperança, a mesma esperança de seus vovós, de que você continue sendo essa pessoa correta, amorosa, batalhadora e pronta para alçar grandes voos. Desta vovó Ana, mais um desejo: que as Forças Maiores o protejam sempre pelos caminhos que você escolher.  

    

           

quarta-feira, 24 de junho de 2026

Dia de Santo Antônio

 Crônica publicada no jornal A Tribuna em 13/06/2026


          O sorriso da esperança

                                                                   

Recostado em uma pedra, sozinho, à noite, na praia deserta, ele observava as estrelas, numerosas e brilhantes no céu limpo e profundo de inverno. Elevou uma prece ao Pai, que lhe permitia aqueles momentos mágicos em um planeta tão lindo e tão sofrido. As comemorações do seu dia estavam próximas. Ele sorriu.

            Lembrou-se de como ultimamente vinha aumentado sua atividade de conselheiro, intercessor na resolução de causas difíceis, apaziguador em embates que ameaçavam destruir uniões, tribuno forte e inflamado na defesa de uma população carente e cada vez mais miserável. Desde o início havia sido assim: ele nascera para ajudar nos mais diversos campos das relações e emoções humanas.

            Mas nunca havia sido tão requisitado como agora. Provavelmente, o ódio que se apossara de muitos corações, que nem mais sabiam o real motivo de odiarem, é que dava origem a tanto trabalho: impedir a ação de malfeitores e assassinos; evidenciar para mentes duras a nobreza do amor e do perdão; orientar líderes e pessoas comuns no reconhecimento da igualdade entre os seres humanos; socorrer doentes e vulneráveis.

            Eram muitos os pedidos que chegavam. Ainda se lembrava da primeira vez em que dividira pão com os famintos. Desde então, fazia de tudo para atender aos apelos mais diversos, estudando cada um com carinho. Interessante como vinham aumentando, também, pedidos para que ajudasse a concretizar uniões amorosas.

            A fama vinha de muito tempo, quando conhecera uma jovem apaixonada cujo amor era correspondido por um rapaz de família com status e fortuna muito superiores aos da moça. O casamento era impossível! Mas a noiva sabia que ele condenava preconceitos e pediu seu auxílio. Com sua palavra poderosa e convincente, defendendo o amor contra interesses mesquinhos, ele garantiu a felicidade do casal.

            A fama se espalhou e os pedidos de ajuda nunca mais pararam de chegar. Agora mesmo, acabara de receber inúmeros. Eram pessoas buscando realização na vida amorosa. Ele se debruçava sobre cada pedido, mas nem sempre podia atendê-los.      Com o aumento de feminicídios e agressões entre casais, ele até podia prever o mau resultado de algumas uniões, mas, como não podia impedi-las, arquivava os pedidos.

            Era um mundo caótico, que ele não mais reconhecia. Suspirou, sabendo que seu trabalho de intercessor ia aumentar. Levantou-se e começou a caminhar pela areia até desaparecer. Em sua cabeça, a aureola brilhava refletindo a luz das estrelas. Apesar de tudo, Santo Antônio estava feliz: a alegria das comemorações de sua data traria esperança para muita gente sofrida!   

quarta-feira, 20 de maio de 2026

Dia das Mães

 Publicada em 10/05/2026, na seção "Tribuna Livre", do jornal "A Tribuna"


          Sob a árvore frondosa                                                                                                          

   Sentou-se no banco do parque, abrigada do sol e do calor pela frondosa árvore que cobria o espaço. Observou as crianças que brincavam um pouco mais adiante nos balanços e escorregadores, alegres, rindo, correndo. O coração se apertou mais um pouco. Sensação ruim, que vinha sentindo com constância ultimamente.

            Dizia a si própria que não tinha ao que atribuí-la, mas no fundo sabia: solidão. Filhos e netos distantes, morando em outros países; marido ainda ativo, dando mais atenção ao trabalho do que à companheira de tantos anos; amigas envolvidas com as próprias famílias, ajudando a cuidar de netos. E ela? Não mais exercia o papel de mãe, não podia exercer o papel de avó, enfrentava o distanciamento do marido.

            Haveria solução para a sua vida? Por solução queria dizer utilidade. O pensamento adquiria a velocidade da luz e o susto foi grande quando a   jovem se sentou ao seu lado, bebê chorando nos braços, atrapalhada com a mochila das coisas da criança. O sorriso da moça não escondia o constrangimento com a falta de jeito para lidar com a situação.

            De repente, o aperto no coração desapareceu e o auxilio à jovem mãe foi automático: ajudou-a a se desembaraçar da mochila, conseguiu acalmar o bebê, utilizou-se de sua prática na troca de fraldas e ainda indicou a posição mais confortável para amamentar o pequeno, tudo ali no banco protegido pela grande árvore.

            A moça quase não acreditava naquela ajuda. Vida em cidade grande, longe da mãe e da família, sentia-se perdida nas tarefas de mãe. Estava já arrependida da ideia de ter ido ao parque para que o bebê respirasse ar mais puro, mas foi estimulada pela nova e mais experiente amiga a continuar fazendo esses passeios. Com a promessa de que, logo, ela estaria dominando a situação.

            Despediram-se com agradecimentos, recomendações e um beijo carinhoso. O aperto no coração da que enfrentava a solidão já não mais existia. Ficou ali mais um tempo e quando se levantou para voltar para casa, o pensamento já não voava, mas fervilhava: haveria tempo de voltar a sentir aquela sensação maravilhosa de amor que une mãe e filho?

            Concluiu que nunca havia pensado que esses laços não precisam ser físicos. Listou para si própria os exemplos de mães heroínas e também das que enfrentam a rotina das batalhas diárias para traduzir em bem-estar o amor que sentem pelos filhos. Decidiu que poderia ajudar a fazer a diferença. Passou a trabalhar na associação voltada a cuidar de mães em dificuldades.

            Voltou ao parque outras vezes, sentou-se no mesmo banco, observou outras mães, ajudou sempre que foi preciso. Mas nunca mais viu a jovem mãe atrapalhada e derrotada pela mochila do bebê. Nem voltou a sentir o aperto no coração.

             

terça-feira, 28 de abril de 2026

Luiz Felipe - 12 anos

 

                    Do diminutivo ao aumentativo

 

Nosso Tite não é mais Titinho! Não dá mais para chamá-lo no diminutivo. Brinco dizendo que agora é nosso Titão, porque cresceu muito, e ele dá uma risadinha meio sem graça. Mas, no fundo, todo orgulhoso: está alto, apesar de continuar esguio.  Nosso Luiz Felipe chega aos 12 anos, e continua irrequieto, como sempre foi. Meu neto mais novo não quer perder nada do que a vida tem a lhe oferecer.

            O seu relacionamento com a família e amigos, Tite, é marcado por alegria e brincadeiras. O amor pela mamãe e papai é externado em beijos, abraços e muito carinho. Continua sendo o grudezinho da mamãe, em quem encontra carinho, e que é sempre objeto de manifestações de seu amor, mas papai também recebe essas manifestações, dedicando tempo e atenção a explicar o que a sua curiosidade quer saber.

            Aliás, perguntar é próprio de você, que é dono de uma mente que não para. Seu irmão João Vitor é, muitas vezes, alvo das suas perguntas, mas, nem sempre tem a paciência do papai e mamãe para responder. Aí, surge a cara emburrada dos dois lados, que não dura nem um minuto porque um dos dois provoca o outro e logo estão se cutucando e rindo.

            Vovós continuam cercando vocês dois de amor e se preocupando com os “netinhos”, coisa de avós, que só quem os tem consegue compreender.  Mas os “netinhos” estão crescendo, a meninice está ficando para trás. O que não impede a troca de beijos e abraços entre você, João e vovós Ana, Paulo, Janne e Santiago.

            A paixão pelo desenho e pelos jogos no computador continuam firmes na sua vida. Um papel e uma caneta são suficientes para você passar algumas horas entretido. Seus trabalhos são muito elogiados na escola de desenho e surpreendem vovô Santi, que comenta meio brincando, mas todo orgulhoso: “Puxou a mim!” Mas é uma tela de notebook que o distrai durante um bom tempo, precisando da intervenção da mamãe para parar. “Só mais um pouquinho”, é a resposta em forma de pedido!

            Mas você tem outras atividades e interesses. Handebol está no seu programa de atividade física, assim como a Educação Física na escola e a corrida, sempre que encontra um espaço livre. A bateria continua presente em sua vida. Não perde aula na escola de música e gosta, principalmente, das apresentações de encerramento de ano, no Teatro Guarany. Ano passado foi, como sempre, um sucesso, tocando bateria acompanhado por papai (como convidado especial) no contrabaixo e pela banda da Escola Simonian. A música foi “Smooth Criminal”, de Michael Jackson.

            Aos poucos, as atividades escolares vão despertando mais seu interesse e dedicação, e você fica muito orgulhoso quando obtém notas altas. Sempre que chega na casa do vovô Paulo, ele lhe pergunta: “Foi bem na escola?” A resposta é costumeiramente positiva, algumas vezes mais firme, mas sempre acompanhada de um sorriso.

Você conhece e se interessa pela História das Guerras, descrevendo detalhes das batalhas para a família. Seu amor e talento para o desenho fizeram com que se se interessasse, na História da Arte, pelo Renascimento. Mas você também conhece outros períodos, que estuda na escola. Em julho do ano passado, durante sua viagem à Europa, com mamãe, papai e João, foi ao Louvre, em Paris.

 Entre as grandes obras de arte em exposição, a família viu um belo quadro, que chamou a atenção. Todos se perguntavam o que representava. E você, na hora: “São as sabinas.” Tratava-se do quadro “A Intervenção das Sabinas”, de Jacques-Louis David, grande representante do neoclassicismo. “Como você sabe?”, perguntou a mamãe. E você: “Eu estudei na escola...” E continuou tranquilamente a visita ao museu.

Segundo o João, foi o terror das pombas em Paris e Londres. Não podia ver uma e já corria atrás, com um brinquedo na mão, que fazia barulho. Dando muita risada, você confirmava, assim, sua natureza irrequieta, mas, por ser menorzinho, cansava-se mais nas visitas aos pontos históricos e, sempre que aparecia um bom lugar, recostava-se na mamãe ou papai e pegava no sono. Mas como nunca dá o braço a torcer, ficava bravo por causa das fotos que registraram esses momentos.

            Tem facilidade de fazer amigos, e tem muitos! Ano passado, no aniversário de 11 anos, quando foi viajar para o Hotel Fazenda Mazzaropi, com a família, contou-nos, todo contente, que em quatro dias tinha feito vários amigos, mas, especialmente, dois amigos e uma amiga. É assim também no dia a dia na escola. Você brinca e se relaciona com todos os colegas, e, claro, tem os preferidos.

Há alguns dias, comentando sobre as velinhas do bolo de 12 anos, que você iria apagar ao lado dos amigos, perguntei: “Vão cantar ´Parabéns´, não é?” E provoquei: “E vai sobrar para você. Vão cantar ´Com quem será... que o Tite vai casar?” Sua carinha foi de concordância e resignação. Não me dei por vencida: “E você sabe o nome da menina que vão cantar?” Diante de sua resposta afirmativa, perguntei de novo: “E você gosta dessa sua amiguinha?” A resposta veio no meio de um sorriso: “Ah, dessa sim!...”

Você gosta de provocar o vovô Paulo porque sabe que ele entra na brincadeira, cutucando de volta quando você mexe com ele. Mas também gosta de ajudar, quando preciso. Na viagem de volta do Mazzaropi, em uma parada para descansar e reabastecer os carros, você e vovô Paulo foram ao banheiro. Na hora de lavar as mãos, perceberam que não tinha sabonete. E você, ligeiro e decidido como sempre, foi na outra ala do banheiro, encheu as mãos de sabão líquido e levou para você e vovô lavarem as mãos. 

Assim você vai crescendo, descobrindo as dificuldades e alegrias da vida, aprendendo a lidar com elas.  Você gosta, por exemplo, de tudo mais doce ou mais salgado. Abacate é uma iguaria para você. Quando vem almoçar comigo e vovô Paulo, uma das primeiras perguntas é: “Tem abacate?” Mas você sempre pede que o creme seja mais doce, no que mamãe interrompe, preocupada em manter sua saúde: “Não, está bom assim!” Você fica triste, mas não desiste: “Então, põe mais umas gotinhas de adoçante...”

Nas férias de verão, foi, com o João Vitor, passar uns dias na Praia da Baleia, com vovós Janne e Santi. Claro que você e João escolheram o cardápio das refeições, feitas com muito carinho pela vovó Janne. Vovô Santi continuou atendendo aos seus pedidos de criar desenhos e vocês se divertiram muito andando de bicicleta. À noite, o cansaço era tanto, que nem dava tempo de vovó Janne cumprir o ritual de passar creme nas suas costas antes de dormir: você adormecia antes, para só acordar no dia seguinte.

Você gosta de brincar comigo, colocando-se atrás de mim e me cutucando, como se alguém estivesse me chamando. Só para eu olhar para trás, fazer aquela cara de quem está procurando alguém e você correr ligeiro para o outro lado, para não dar tempo de vê-lo.

No Mazzaropi, fez isso muitas vezes. Na verdade, como é de seu feitio, estava radiante e não parou quieto nem um segundo. Queria ir em todos os brinquedos que o hotel tem a oferecer, mas um dos prediletos foi o pula-pula, no qual foi acompanhado do papai e mamãe, que também se divertiram muito. Um brinquedo muito apropriado para você, nosso irrequieto Tite!

Na hora do bolo de aniversário, durante o almoço no hotel, toda a família e ocupantes de outras mesas, mais os animados garçons e garçonetes, cantaram “Parabéns”, enquanto você, todo feliz, apagava as velinhas. E, desta vez, o primeiro pedaço do bolo foi para a mamãe, que ficou emocionada. E em sua casa, quando apagou velinhas no almoço com os papais e vovós, deu o primeiro pedaço de bolo para o João Vitor. Seu irmão, como sempre, ficou todo orgulhoso!

Você gosta de bichinhos e brincou muito com os que vivem soltos no Mazzaropi. Deu comida para os coelhos, um tipo de matinho que eles adoram; e até correu atrás das galinhas, como toda a criança que não para quieta. Na quadrilha da festa junina, só deixou quietos, nas mesas, os vovôs Paulo e Santi. Eu, vovó Janne, papai, mamãe e João fomos dançar quadrilha. Você se divertiu observando minhas reações às coreografias. Fiquei apreensiva quando vi que tinha uma de pular e pensei: “Ai!, meu par é o Tite!” Mas você foi bonzinho com a vovó e não pulou demais!..

Quis dirigir a bicicleta de dois lugares, comigo do lado, como havia visto o João fazer. E conseguiu! Por pouco tempo, mas bem divertido! Fez muitos pontos no boliche, mas, no meio do jogo, foi embora para jogar queimada, de que gosta muito!  Na verdade, no seu aniversário no hotel fazenda, você curtiu tudo o que pôde e nos fez curtir junto com você. Afinal, quem pode resistir à sua alegria?

Este é apenas um breve recorte de sua personalidade. Você é assim, Luiz Felipe, vive a pré-adolescência com seu jeito determinado a resolver logo as coisas, sua pressa em obter soluções, em falar, em concluir tarefas. Seu movimento é constante, só consegue se aquietar com o carinho da mamãe e do papai. Seus vovós agradecem ao Ser Maior a felicidade de tê-lo (e a seu irmão) como neto(s). E eu, continuo encantada com sua vivacidade e alegria, pedindo aos Céus que o protejam pelos nem sempre fáceis caminhos da vida, que, tenho certeza, você vai trilhar com determinação e vitória!