Publicada hoje, na "Tribuna Livre" de "A Tribuna"
Papai Noel tinha pressa
A noite era bonita, céu sem nuvens,
dava até para ver algumas estrelas e uma tímida lua, indecisa entre brilhar ou
permanecer discretamente na coxia, vá que durante a madrugada o vento começasse
a soprar com fúria, colocando o céu em polvorosa e a terra em balbúrdia! A lua
já estava se acostumando a essas variações de humor do tempo e não queria
parecer exibida para depois ter que se esconder às pressas atrás de pesadas
nuvens.
Mas aquela
noite estava tranquila e eu, confortavelmente sentada na varanda do apartamento,
aproveitei um raro momento de silêncio no trânsito lá embaixo para apreciar o
espetáculo que a natureza constantemente nos apresenta e ao qual nem sempre
prestamos atenção. De repente, no céu profundo e escuro, vi um clarão. Não era
uma estrela cadente, nem luz de fogos estourando, nem um OVNI.
Mas eu vi.
Juro que vi o trenó voando, com as renas resfolegando e o Papai Noel gritando:
“Mais depressa! Mais depressa!” Nada de “Ho ho ho!”, mas uma urgência na voz,
que me deixou admirada. O que estaria acontecendo? Estaria o tempo se esgotando
para levar presentes para todas as crianças da Terra?
Ou estaria
ele fugindo de uma patrulha celeste, que o perseguia para multá-lo por excesso
de velocidade e confiscar o trenó? Afinal, ele está com uma idade muito
avançada, aproximadamente 17 séculos, e todos sabemos que leis de trânsito
preocupam-se com os idosos na direção, e não com os jovens, muito respeitosos
dessas leis!
Pensando
bem, como pode o Papai Noel continuar firme no comando das renas, sem se
queixar de dores lombares, perda de visão, rugas, medo de quedas, cansaço,
desânimo, tonturas, doenças da idade, cobranças da sociedade e medo do
ridículo? Será que fora do tempo de Natal ele fica em uma casa de repouso no
Polo Norte? Ou mora com Mamãe Noel e os filhos, que não lhe dão muito espaço
para expor suas opiniões?
Mas tudo
isso é impossível, afinal ele é mágico! Ele vive na magia gerada pelos sonhos
das crianças. E também dos adultos. E até dos idosos. É o símbolo da esperança
que teima em sobreviver. Não à toa, ele originou-se do posicionamento generoso
de São Nicolau, um bispo do século IV, que, na Turquia, era conhecido por dar
presentes secretamente. E sobreviveu todos estes séculos alegrando o Natal,
tempo de viver a mensagem de amor e solidariedade deixada pelo Aniversariante
da época.
Acordei em
minha cadeira na varanda e entendi a pressa do Papai Noel para tentar melhorar
o estado de espírito deste mundo tão conturbado e cheio de ódio. Mas a noite
era tranquila e a lua, finalmente, tinha se decidido: brilhava como uma
superstar!
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