Calor insuportável (tem gente que A-D-O-R-A!!!), Carnaval chegando, muita gente se preparando para viajar. Tudo como sempre, em todos os anos. E, como em todos os anos, o deprimente espetáculo dos trotes universitários, emporcalhando e diminuindo culturalmente a Cidade. Sempre escrevi artigos contra esse absurdo, e não vou me calar enquanto esses lamentáveis acontecimentos não forem totalmente extirpados de Santos. Para os amigos terem uma idéia, aí vai o artigo publicado em 2007, no jornal “A Tribuna”.
De resto, aguentem o calor e bom Carnaval a todos.
Cabeças ocas e jovens guerreiros
É esse o prêmio que recebem dos colegas veteranos, que, por sua vez, sofreram o mesmo ridículo trote em anos anteriores, por parte dos veteranos que os precederam, e por aí vai... O raciocínio é simplório: se eu tive que fazer, os outros também farão. Uma vingança tola, resultado de mentes estreitas e que, pelo visto, as universidades não conseguem alargar.
Após o espetáculo da mendicância, quase sempre em baixo de sol e calor sufocante – já que o número de cursos universitários que se iniciam é maior no começo do ano, em pleno verão – e assistido por turistas que procuram Santos nessa época, reúnem-se os jovens universitários veteranos em algum botequim para “torrar” no consumo de cerveja o arrecadado pelos calouros. Para alegria do dono do bar!
Dizem alguns (poucos) calouros que não se importam, que é divertido, uma maneira de se integrarem à comunidade universitária. Uma comunidade, convenhamos, bastante pobre de espírito. Já a maioria dos calouros não gosta, ou melhor, detesta! E ainda dá graças a Deus quando não é submetida a humilhações maiores, ao desgaste de esforços físicos inúteis e sem nenhuma graça ou objetivo. Uma prática abominável e que vem sendo a cada ano mais denunciada por pais e estudantes, resultando até em ações na Justiça.
E as universidades? Ora, não sendo dentro de seus muros, o que importa? Alegam que nada podem fazer quando esses trotes condenáveis acontecem na rua. É verdade, a rua é pública, já diz um velho ditado. Mas tentar colocar idéias de respeito ao próximo dentro das cabeças ocas dos veteranos, podem. Devem! Algumas já vêm fazendo esse trabalho e são, por isso, dignas de aplausos. O resultado são trotes solidários, ações de apoio a carentes e a quem necessita. Mas estas iniciativas são ainda muito poucas se comparadas aos trotes irresponsáveis e sem sentido.
No início deste ano, para aumentar um pouco mais a decepção do cidadão santista inconformado com a inconseqüência desses jovens, um grupo de estrangeiros e brasileiros de várias regiões, também jovens, dedicava-se com entusiasmo a uma tarefa difícil e de alcance social. Munidos de pás, baldes, picaretas, pincéis e tintas, tentavam resgatar para a comunidade carente do Paquetá um galpão até então utilizado por traficantes e viciados.
O objetivo era transformar o espaço em um centro cultural voltado para os moradores da região e, para isso, esforços não foram medidos. O projeto, de organização não governamental santista, recebeu um belo nome: Guerreiros sem Armas. Os jovens participantes estavam ligados a ONGs de todo o mundo e, apesar do nome, tinham armas, sim. Eram a determinação e a vontade de mudar para melhor.
Ao contrário dos universitários santistas, contentes com o papel de marionetes no teatro da vida, estes outros escreviam o seu próprio papel, protagonistas de suas histórias repletas da emoção de entender o sentido da existência humana. O Grande Diretor deve tê-los aplaudido.
Resta, então, uma pergunta: será possível conter a tão temida violência no País enquanto nossos jovens universitários, os profissionais de amanhã, pensam e agem sem dar o mínimo valor à ética, à cultura e ao respeito?
2 comentários:
Olá Ana, que lindo. Você como sempre inspirada.
Ainda ontem à noite, ao ser abordado por um bando desses coitados manipulados (tanto calouro como os veteranos, vítimas de programas desmoralizantes da família e sociedade brasileira, e quiça do mundo), lembrei-me de nosso tempo de faculdade. Em princípio eu e o Pedro Righi só aparecemos depois que acabara essa palhaçada.
Ao final do nosso primeiro ano, eu era representante da classe e acabamos fazendo uma reunião em que decidimos em vez de fazer esse espetáculo Sado/masoquista, resolvemos que receberíamos os calouros com carinho, organizamos uma reunião e oferecemos flores a eles. Os que se dispuseram, organizamos uma doação no banco de sangue na Sta. Casa. Lembra-se como foi diferente e bonito?
Tentei comentar isso com os rapazes e meninas, mas não me deram chance. Disseram que no meu tempo a coisa era outra. Não quis polemizar, mas comentei que realmente era diferente, pois talvez houvesse um pouco mais de dignidade. Aí uma mais alvoroçada, questionou-me achando que eu havia dito que eles eram não tinham dignidade. Para não ir muito adiante, respondi que não se tratava deles, mas sim de grupos poderosos que organizavam festas diabólicas visando desmoralizar a sociedade e se locupletarem com a miséria, discórdia e vícios de um modo geral.
Aí fui me afastando, sem dar muita atenção e me esqueceram...
De toda forma, parabéns pela sua excelente colocação.
Continue, as pessoas precisam começar a pensar um pouco mais.
Beijos
Taneo
Infelizmente, Taneo, não conseguimos acabar ainda com esse costume deprimente chamado trote. Mas vamos continuar tentando.
Abraços
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