Aqui, artigo de minha autoria publicado na "Tribuna Livre" do jornal "A Tribuna". É o que penso.
Praia, calor e o quê mais?
É apenas uma face do Festival de Inverno, que em julho, tradicionalmente, torna-se sinônimo de Campos do Jordão. Ao festival comparecem alguns dos melhores nomes da música erudita do Brasil e exterior. Nos cursos, jovens músicos aprimoram seu talento. Concertos se sucedem no Auditório Cláudio Santoro, em igrejas, no palco de Capivari e em outros espaços. Por toda a parte, respira-se festival. As pessoas estão de férias, mas não dão férias ao intelecto e ao bom gosto.
Agora, vejamos Santos, Temporada de Verão, logo após a virada do ano. Calor escaldante, turistas tomando conta de todos os espaços, nenhuma vaga para estacionar carro, comerciantes felizes etc. etc. Tudo igual às altas temporadas de todas as cidades turísticas, com suas vantagens e problemas. O diferencial: a praia. E só. Não, não é pouco. Quem não vive à beira-mar sabe muito bem valorizar um dia de sol na praia.
Mas, e depois da praia? Shopping? Claro, mas cansa! Cinema? Com a programação pífia que os exibidores insistem em enfiar goela abaixo do público – principalmente logo após o réveillon –, a opção torna-se inválida. Com as exceções de praxe, nada se oferece na área da cultura associada ao lazer. Temos, só no final de janeiro, a programação do aniversário da Cidade. Algumas iniciativas particulares aqui e ali e mais nada! Há anos esse cenário de indigência cultural se repete no período
Até o Carnaval, ficamos em recesso; o distinto público só conta com a volta da companhia – e, mesmo assim, aos poucos – após Rei Momo recolher a bateria. Uma pena! Perde-se, nesse cenário, uma excelente oportunidade para as áreas públicas federal, estadual e local se unirem à iniciativa privada e associarem Santos, praia e calor a lazer, arte e cultura.
Shows e orquestras na praia são lindos (quando não chove), mas pontuais. É preciso criar uma tradição de boas e constantes atrações. Se não um “Festival de Verão”, adotemos outro nome, mas utilizemos todos os espaços da Cidade, na praia, nos bairros, na Zona Noroeste, nos morros. Temos bons teatros, ginásios, igrejas maravilhosas, espaços comunitários, clubes, bondes. Não precisamos, como Campos do Jordão, privilegiar unicamente uma manifestação artística.
Há espaço e gosto para tudo o que é boa arte, do erudito ao popular, sem, naturalmente, escancarar para o que destrói, desagrega ou promove violência. Se nestes dias pré-Carnaval temos o sucesso das tendas e das bandas, por que não podemos, nos próximos verões, viver esse clima de festa temperado com boa música, teatro, dança, canto, exposições etc.?
Nossos grupos e talentos locais já comprovaram que podem integrar uma programação cultural de primeira linha, que atraia artistas de renome nacional e até internacional. Está no tempo – até já passou da hora – de provocar o deslumbramento dos turistas, dos passageiros dos navios e dos próprios santistas, não só com a beleza natural da Cidade, mas com sua vocação para a arte e a cultura.
2 comentários:
Ana Maria
Numa cidade onde temos uma orla de ate 300 metros,o Guaruja de um lado e veja ate Praia Grande do outro,fica dificil investir e o que nos resta,pecas que o Brasil inteiro ja viu,mudanca ate nos figurantes,artistas em fim de carreira,ja passaram muitos por aqui e evidente falta de vontade politica de nossos governantes.
Pessoas sutis como vce, com inteligencia acima da media e MULHER,deve sentir falta de atividades como citou acima.
abracos
fernando
É Fernando, é muito triste esta nossa in- digência cultural. Mas, se continuarmos tentando, quem sabe poderemos conseguir alguma coisa, não?!
Beijos
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