Fui ver o show desta intérprete excelente, realizado aqui em Santos, no Teatro Municipal, dia 22/09/09. Aqui, o que achei:
Clara, “mais maior de bom”
Um show como raras vezes se pode ver. Foi assim o espetáculo de Clara Becker no Teatro Municipal, parte do projeto cultural itinerante do Banco do Brasil. Clara é dessas intérpretes que colocam a alma no que cantam, entregando-se de tal forma à música que é impossível desviar os olhos de sua figura. Ela tanto pode assumir a dramaticidade como a brejeirice, o ritmo ou a languidez das composições. Dificilmente um compositor encontrará melhor tradução.
A voz grave, a expressão corporal e a total sintonia com seus músicos são sob medida para a homenagem que Clara presta a dois grandes nomes da música brasileira, compositores de temas e estilos diferentes, pai e filho unidos, no entanto, pela expressão da alma brasileira: Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, e Gonzaguinha.
O cenário e a iluminação que não deixam vazios no palco, a competência dos músicos Pedro Macedo no contrabaixo, Kiko Horta no acordeom – instrumento que não poderia faltar quando se toca o Rei do Baião e, aqui, perfeitamente entrosado com a harmonia do conjunto –, Edson Ghilardi na percussão e, especialmente, João Cristal no piano completam os acertos de Dois Maior de Grande. Uma linda homenagem que Clara presta a Gonzagão e Gonzaguinha, com arranjos e direção musical assinados pelo pianista Leandro Braga.
O título do espetáculo – e do CD no qual se baseia – remete à composição de Gonzaguinha Coisa Mais Maior de Grande, e no roteiro do show a cantora opta por mostrar um repertório não tão conhecido do grande público, mas repleto de inspiração e sentimento. Sem faltarem, é claro, sucessos como Asa Branca, Assum Preto e Estrada de Canindé. O resultado é um clima intimista, que, aliás, encontrou no Teatro Municipal o ambiente perfeito.
Pequena jóia entre os shows de música popular, Dois Maior de Grande valeu o suor de sua intérprete e foi uma oportunidade única para o público da região conhecer melhor Clara Becker, que provou saber dosar música e teatro. Cantora, sim, mas também atriz – e das boas –, não fosse ela filha de Cacilda Becker e Walmor Chagas.
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